"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo de cores tão intensas... lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da voz fascinante de Petra Magoni... que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"

24 de abr de 2011

Foto do post... Gregory Crewdson




Aceito a ordem das coisas, a geometria imposta do quarto? Os objectos no seu lugar de sempre, a distância exacta da cadeira à mesa, do meiple à janela? O sono do tapete? O universo diário do quarto alugado, as molduras que cercam, resguardam naturezas mortas, paisagens imóveis? Aceito a minha vida? Ou mexo no candeeiro, desvio-o alguns centímetros na mesa, altero as relações das coisas, afinal tão frágeis que o simples desvio dum objecto pode romper o equilíbrio?
Pego no telefone e grito ao primeiro desconhecido: ouves-me? Ou deixo tudo tal como está, medido, quieto no rigor do quarto, e eu hesitante entre o soalho e o tecto? Desloco o cinzeiro sabendo que posso matar mandarins, provocar cataclismos, fracturas, amores, eclipses, sonhos, com a ponta dum dedo? Ou apago a lâmpada eléctrica e entro no mesmo torpor que as flores do tapete, a fruta dos quadros, o frio, o bolor, no chão, nas paredes, o poema na mesa, a mesa no espaço do quarto comprado mês a mês? Confundo o aluguer e o tempo, deixo-me ser em cada milímetro, em cada segundo, do quarto, da vida, o outro objecto chamado inquilino? Ou desencadeio a insurreição mudando de sítio o meiple, a cadeira, mudando-me a mim?

Carlos de Oliveira

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Nem sempre as poesias que posto tem a ver com o que estou passando ou sentido. Muitas vezes posto uma poesia pela sua beleza, ou então porque me toca, ou porque, de uma certa forma, me identifico com as palavras do poeta, e as visto.
Vista-se também!...