"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo de cores tão intensas... lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da voz fascinante de Petra Magoni... que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"

31 de dez de 2012

Foto do post... Irina Shipunova



Descoberta

As gavetinhas escondidas no criado-mudo estão se abrindo.
Contém: novas direções, pílulas para se ouvir a música interna, diversos tipos de áureas e ainda um lindinho manual ilustrado de perdões.

 Vanessa Campos Rocha

30 de dez de 2012

Foto do post... (desconheço)


 
Oração de uma Camponesa de Madagascar

Senhor!
Dono das panelas e marmitas!

Não posso ser a santa que medita aos vossos pés.
Não posso bordar toalhas para o vosso altar. 

Então, que eu seja santa ao pé do meu fogão.
Que o vosso amor esquente a chama que eu acendi 
E faça calar minha vontade de gemer a minha miséria.

Eu tenho as mãos de Marta. 
Mas quero também ter a alma de Maria.

Quando eu lavar o chão lavai, Senhor, os meus pecados.
Quando eu puser na mesa a comida, comei também Senhor,
junto conosco.

É ao meu Senhor que eu sirvo, servindo minha família.

Frei Dominicano Raimundo Cintra

29 de dez de 2012

Foto do post... Viviane Westwood


 
A velha

Esculpida em silêncio,
sentada e sábia,
fita o horizonte da mágoa.

Ao seu lado, o mar murmura
as sílabas
do ocaso.

Ó beleza antiga e súbita:
sobre o seu ombro
o instante se debruça,
iluminado.

Adriano Espínola

28 de dez de 2012

Foto do post... Silvie Vartan


 
Momentos

Finjo que estás
presente... e me habitas,
como quem sente
esta saudade
em mim...

Finjo que me
abraças... e me envolves,
como quem sonha
um arco-iris
distante...

Finjo que não sei,
o que já sei,
só não finjo
esta saudade
que me habita e me envolve!

Luz Lopes

27 de dez de 2012

Foto do post... Elizabeth Taylor



 Prece 

Dê-me o esquecimento, meu pai. 
Dê-me uma noite sem sombra  
ou sobressalto, um sono inteiro 
um instante sem rumor. 
Dê-me teu silêncio, meu pai. 
A solidez das pedras, o rigor das coisas  
a solidão sem dor.

Maria Esther Maciel

26 de dez de 2012

Foto do post... Marilyn Monroe


 
O grito

se ao menos esta dor servisse
se ela batesse nas paredes
abrisse portas
falasse
se ela cantasse e despenteasse os cabelos

se ao menos esta dor se visse
se ela saltasse fora da garganta como um grito
caísse da janela fizesse barulho
morresse

se a dor fosse um pedaço de pão duro
que a gente pudesse engolir com força
depois cuspir a saliva fora
sujar a rua os carros o espaço o outro
esse outro escuro que passa indiferente
e que não sofre tem o direito de não sofrer

se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra 
para doer doer doer visível
doer penalizante
doer com lágrimas

se ao menos esta dor sangrasse

 Renata Pallottini

25 de dez de 2012

Foto do post... (desconheço)


 
Uma Filosofia Toda

As bolas de sabão que esta criança 
Se entretém a largar de uma palhinha 
São translucidamente uma filosofia toda. 
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza, 
Amigas dos olhos como as cousas, 
São aquilo que são 
Com uma precisão redondinha e aérea, 
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa, 
Pretende que elas são mais do que parecem ser. 
Algumas mal se vêem no ar lúcido. 
São como a brisa que passa e mal toca nas flores 
E que só sabemos que passa 
Porque qualquer cousa se aligeira em nós 
E aceita tudo mais nitidamente. 

Alberto Caeiro

24 de dez de 2012

Foto do post... B. Berenika


 
Dezenove do oito de mil novecentos e setenta e quatro

Não entendo nada desta janela fechada
que me aperta a culpa
Doer não doi mais,
nem sangra –
Consegui o que queria:
ser despedida, ficar perdida
falida e alone
olhando o pale da comédia.
Sei que me chamam Bel
Mel de paixão
sugado da boca louca
de onde sangra o coração
e chora a hora
do leito vazio
da falta de peito
do jeito do beijo
fácil, difícil, sutil.

A verdade é que vivo a mil
sonhando a morte em azul-anil.

Isabel Câmara

23 de dez de 2012

Foto do post... Liza Sidorina


 
 A lei do silêncio é inútil. Quando algo nos persegue na nossa memória ou na nossa imaginação, as leis do silêncio são inúteis, é como fechar uma porta à chave numa casa em chamas na esperança de nos esquecermos que ela está a arder. Mas fugir do incêndio não o apaga. O silêncio em relação a uma coisa só lhe aumenta o tamanho. Cresce e apodrece em silêncio, torna-se maligno.

Tennessee Williams

22 de dez de 2012

Foto do post... Lily Cole



Recordar os gestos de amanhã

quem serei amanhã?
se somos outro para cada um
em cada hora.

quem serei
quando acordar sozinho, 
fechado na minha tímidez 
a passar o portão da fábrica, 
a entrar e sair do gabinete 
do encarregado dos serviços gerais?

e se não for o mesmo 
quando paro ao meio da manhã
para comer, ao sol, 
a maçã com a menina zefa?

quem serei 
quando recordar a noite branca,
as páginas roubadas à morte,
quando fantasiar 
outra vez ainda
sobre o almoço da cantina
desta vez em salzburgo
desta vez jantar
desta vez dançando

quem serei amanhã
quando não souber
o caminho do bairro operário
todos os cumprimentos
todos os olhares
todos os silêncios?

quem serei
quando não me vestir
da pessoa certa
para poder ter
as maçãs 
e as noites brancas?

Paulo

21 de dez de 2012

Foto do post... Walter Martin & Paloma Muñoz


 
 Não lhe parece estranho que certas memórias de infância estejam assim coalhadas em luz, encapsuladas como aquelas esferas de vidro que ao virar-se cintilam de neve ou de partículas doiradas sobre uma paisagem em miniatura? Podia ser o Escorial, a Torre de Londres, os Montes Apalaches. Um par que dança de pernas para o ar na concha da mão cheia de vidro grosso, dentro do qual paira depois, em descida mansa, uma poalha de estrelas cadentes. Pode ser o Taj Mahal, feito para alumbrar porque navega nos ares à hora da bruma arfante do calor. Isso eu vi. Ou talvez estivesse marejada de choro. Jazigo raro, onde quem sabe só restam que résteas de ossos. Está-se lá dentro, nas esferas vivas, sem saber para onde se ia, nem de onde se vinha. Para sempre, o que não é exagero nenhum, enquanto a memória veja. Mas suponho que são estas bagas translúcidas que atravessam de sorrisos o cochilar dos velhos e dos meninos que hão-de voltar a ser. Se voltarem. Ele há tanto sítio e lugar e ser de que se está tão certo e seguro em sonhos, que é bem possível que para lá se vá ou de lá se venha. A alma é imortal mas não nos é dado saber aonde se demora.

 Maria Velho da Costa

20 de dez de 2012

Foto do post... Kirsten Dunst


 
Estava capaz de fazer chá e tomar vitamina C.
Apetece-te uma chávena de chá?

Estava capaz de ficar muito sossegadinho a um canto, 
parando de inventar motivos
para andar de um lado para outro.

Estava capaz de ter uma conversa contigo.
Apetece-te uma conversa?

 Sam Shepard

19 de dez de 2012

Foto do post... (desconheço)

 
As aquarelas

Não penso azul, nem verde, nem vermelho,
nenhuma cor vejo isoladamente:
quero a vida total, como um espelho
a que não falte flor, folha ou semente.

A natureza, neste abril redondo,
esconde formas, seres, linhas, cores,
aqui e ali bizarramente pondo
manchas involuntárias, multicores.

Recuso-me a adotar bandeira ou marca.
Nada escolho. O mistério natural
me envolve inteiro. Em tuas aquarelas

tudo renasce — como quem da barca
do dilúvio, depois do temporal,
visse de novo a terra das janelas...

Odylo Costa Filho

18 de dez de 2012

Foto do post... Anastasia Galaktionova



Lembrar

lembro-me do teu rosto
antes de morreres
para o amor.

lembro-me das chamas
crescendo nas tuas palavras,
do teu olhar a dizê-las.
os dias a serem vida,
não tempo.

lembro-me de ti,
impecável nos atos,
distante da sombra
- pura azáfama –
que agora és.

Silvia Chueire

17 de dez de 2012

Foto do post... Sharon Sprung


 
Prece

dá-me a lucidez das
correntezas para que eu descubra
entre as tristezas que se
avolumam algum
sorriso mesmo
que não seja para mim

dá-me a serenidade de uma
estrela para que eu imagine
entre as lágrimas que não
me deixam qualquer
paz ainda
que breve

dá-me a claridade das
luas cheias para que eu invente
entre as angústias que se esparramam um
horizonte mesmo
que se transmude em ilusão

dá-me a esperança das
árvores para que eu teça
entre as ausências que se
imensificam uma sanidade ainda
que estofada de
delírios

Adair Carvalhais Júnior

16 de dez de 2012

Foto do post... Marilyn Monroe


 
Livre

Livre... agora sou...
Posso correr e alcançar o tempo
Dizer-lhe que me libertei do medo
De todo o tempo em que me aprisionei
Na escravidão do tempo, sem deixar-me ser.

Livre... agora estou... 
Aquele medo do tempo acabou
Que ele passasse e me arrastasse
Sem dar-me tempo de mostrar quem sou...

Livre... agora estou...
Vou desvendar todos meus sentimentos
Soprá-los livres de encontro ao vento
Para que possam avisar ao tempo
Que não me espere, pois não quero ir...

Se por acaso ele me esperar
Não terei pressa, pode se cansar...
Porque sou livre, ainda quero amar,
Viver a vida e me encontrar.

Carmen Lúcia Carvalho de Souza

15 de dez de 2012

Foto do post... Viviane Mok


 
Eu e meus botões...

Tanto pra admirar!
mar, lua, estrelas, firmamento... 
outro tanto para provar:
amor, saudade, liberdade... sentimentos;

Cá com meus botões - o que faço aqui?
escassas emoções geram tormento:
se nadar, caminhar posso... porque não posso voar?
porque não posso tocar o céu, se posso sentir o vento?

Jorge Arildo

14 de dez de 2012

Foto do post... (desconheço)


 
 Semeadura 

depois que suas sementes se espalharam em mim;
flori em todas estações; este brotar que se sente
por todos poros e pelos. 
me chamam jardim das canções, cores, aromas e afins. 
morei em vasos de cristais, nas mãos dos enamorados, 
nos bicos dos colibris. campanários, quintais. corações, 
povoados. nas alcovas febris.
nos enraizamos em um só caule; ramificamos por galáxias;
florescemos nos versos. nas hemácias carmesins.
nos sonhos e insônia. nos contos de fadas.
nas bocas amadas ou não.
nos beijos lascivos; na contra-mão
da história, martírio e glória;
dos filhos do sol, dos herdeiros vivos
do tesouro encantado!

 Gustavo Drummond

13 de dez de 2012

Foto do post... Audrey Hepburn


 
Espelho de um momento

Ele dissipa a claridade 
Mostra aos homens as imagens sutis da aparência 
Arrebata aos homens a possibilidade de se distraírem. 
É duro quanto a pedra, 
A pedra informe, 
A pedra do movimento e da rua, 
E seu brilho é tal que todas as armaduras, todas as 
máscaras se deformam. 
O que a mão tomou desdenha mesmo de tomar a forma da mão. 
O que foi compreendido não existe mais, 
A ave se confundiu com o vento, 
O céu com sua verdade 
O homem com sua realidade.

 Paul Éluard

12 de dez de 2012

Foto do post... Vivienne Mok


 
Variações do branco 

Ergues o olhar: surpreendes por instantes essa hora
em que o mundo envelhece: ténues as variações do branco
parecem dissolvê-lo numa longínqua música, anterior à chuva
 
Ou será então a imagem submersa de um filme a preto e branco
 
Há próximo um branco vibrante: o da cal ainda recente
mas que a humidade salina já a espaços mordeu,
recortando as feridas cinza na varanda a que vens.
 
Não há ninguém aqui. Quem te chame, digo.
 
Há o branco baço na parede que em frente em vão separa
rua e praia. Tendo já transposto essa fronteira incerta
ou erguendo-se para lá dela há o branco pobre da areia:
 
As dunas plenárias sustentam os corpos deitados de mar e céu.
Aí é agora o grande branco: o clarão velado e difuso
que guarda e distribui a memória embaciada do azul
e do verde, do oiro e da prata — uma lembrança vã.
 
Tu escreves no visível do mundo essa névoa branca e desolada
 
que o motor da paisagem produz. As folhas do ar são como
se fossem as levíssimas pétalas, as vagas sílabas de uma neve –
e essa névoa engolfa, atrasa e apaga na travessia os simulacros
 
das coisas supostas e imaginadas que o mundo te envia
enquanto esperas por alguém que não virá

 Manuel Gusmão

11 de dez de 2012

Foto do post... Elena Vizerskaya


 
Eu

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha

Paulo Leminsk

10 de dez de 2012

Foto do post... Audrey Hepburn



 E sabes, no que mais tenho pensado é nisso, no significado das rotas, no que elas têm a ver com tudo isto que te conto, com o que nos conduz na vida e não sabemos. Há um mistério nisso. Tu também sabes. É o maior mistério e não podemos perseguí-lo. Como se nos afastássemos e só pudéssemos esperar e fosse mesmo isso o que está certo. 

 Rui Coias

9 de dez de 2012

Foto do post... Nicole Tran Ba Vang


 
 são dias de calor estes onde ninguém entra. nenhuma voz se ouve nem quando quieto fica o corpo - por sorte é verão e falta pouco para o fim do ano - as vozes são como vento entre ervas. passeando. e uso o gerúndio para lhes dar movimento - se amanhã fosse domingo podia inventar água e ver-me o reflexo - talvez no futuro encontre um pedaço de terra onde atracar este barco. está ficando pesado - lembro o verão quente por entre a frincha da porta e uma nesga de sol a ocupar-te as pernas. e eu sou do tamanho delas. ouço no rádio precauções para a tempestade e eu vou sacudindo as moscas e contando os segundos enquanto detenho o ar um pouco mais dentro do peito. é tudo tão apertado cá dentro - 

 Margarete

8 de dez de 2012

Foto do post... Twiggy


 
 A Vida

 Tenho de procurar incentivos para me levantar da cama. Quando abro os olhos, já tarde, costumo sempre levar uma meia hora a pensar na razão pela qual tenho de me levantar da cama. E nunca. Nunca encontro nada. A não ser os encontros e os deveres com horas marcadas. De resto. Naquela meia hora vejo a minha vida toda passar-me diante dos olhos. E asseguro. Não encontro. Nunca. Nada. 

 Elisa

7 de dez de 2012

Foto do post... Aino Kannisto



Na cama, à noite, enquanto penso em meus muitos pecados e em meus defeitos exagerados, fico tão confusa pela quantidade de coisas que tenho que analisar que não sei se rio ou se choro, dependendo do meu humor. Depois durmo com a sensação estranha de que quero ser diferente do que sou, ou de que sou diferente do que quero ser, ou talvez de me comportar diferente do que sou ou do que quero ser.

 Anne Frank

6 de dez de 2012

Foto do post... Brigitte Bardot



O sentido da simplicidade

Escondo-me atrás de coisas simples, para que me encontres.
Se não me encontrares, encontrarás as coisas,
tocarás o que a minha mão já tocou,
os traços juntar-se-ão de nossas mãos, uma na outra.

A lua de Agosto brilha na cozinha
como pote estanhado (pela razão já dita),
ilumina a casa vazia e o silêncio ajoelhado,
este silêncio sempre ajoelhado.

Cada palavra é a partida
para um encontro – muita vez anulado –
e só é verdadeira quando, para esse encontro,
ela insiste, a palavra.

 Yannis Ritsos

5 de dez de 2012

Foto do post... B. Berenika


 
 Do sonho

O dia acordou.
Levantou-se na ponta dos pés
e viu o mundo
ainda deitado com os sonhos
e encantações da noite.

Subiu aos montes,
deslizou pelas colinas
e escorreu para a cidade
apressado.

Apagou os candeeiros das ruas
esganou
sombras escondidas nos pátios e nas esquinas,
e depois de repartir pelos humanos
angústias e problemas
encarregou-os de o levar até ao fim.

Depois deu pela minha ausência
(estava ainda no meio do sonho
a negociar uma felicidade),
abriu a minha janela fechada
e com todo o seu peso caiu sobre mim
interrompendo as negociações.

 Kiki Dimoulá

4 de dez de 2012

Foto do post... (desconheço)


 
 Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada impulso vital. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como estou contente outra vez... 

 Caio Fernando Abreu

3 de dez de 2012

Foto do post... Tina Sosna


 
 Imutabilidades
 
Já substituí o calendário 
Deitei o dia, o mês, o ano para o lixo 
Um novo calendário marca-me já o tempo 
Dias com números iguais ao outro 
Meses com o mesmo nome 
Tempo com a mesma medida. 
Faço já do hoje amanhã 
Sem votos, sem resoluções, sem festas ou despedidas. 
Amanhã nada será novo 
A estupidez do Homem será amanhã como hoje, 
Porque natural 
A maldade do Homem será amanhã como hoje, 
Porque inata 
A apatia do Homem será amanhã como hoje, 
Porque confortável. 
Antecipei-me e mudei já o calendário 
Dias com números iguais ao outro 
Meses com o mesmo nome 
Tempo com a mesma medida. 

Encandescente

2 de dez de 2012

Foto do post... Charles Hildreth


 
 R.I.P. 

Ese amor murió
sucumbió
está muerto
aniquilado fenecido
finiquitado
occiso perecido
obliterado
muerto
sepultado
entonces,
¿porqué late todavía?

 Cristina Peri Rossi

1 de dez de 2012

Foto do post... Marilyn Monroe


 
Rosas

Repara, meu amor, naquelas belas rosas
vaidosas
só porque ao seu redor os pássaros e abelhas
adejam...

Quero que venhas comigo até o jardim
para que aquelas rosas
vaidosas
te vejam...

J. G. de Araujo Jorge